domingo, 18 de agosto de 2013

Hardware e Software para BCI

Os quatro passos básicos para extração de dados são: aquisição, digitalização, gravação e análise. Este processo é feito basicamente com sensores que detectam a atividade cerebral, um amplificador com um conversor analógico digital e um computador para processar os dados digitalizados através de um software.

HARDWARE


SENSORES


Os sensores são componentes que recebem sinais físicos e os transformam em voltagem que pode ser amplificada e digitalizada para ser processado por um computador ou microcontrolador. 

Dentre os sensores eletrofisiologicos para BCI mais utilizados temos o eletrodos de Eletroencefalograma (EEG), as matrizes de Eletrocortigografia (ECoG). É possível usar também sensores que detectam sinais magnéticos e metabólicos como o Eletromagnetoencefalografia (MEG), Espectroscopia de Infravermelho (fNIRS)  e a Imagem por Ressonância Magnética (fMRI).

As características dos eletrodos, como tamanho, material e geometria, que serão usados também dependem da forma de extração do sinal que será aplicada. As formas de extração são basicamente não -invasiva, através do ouro cabeludo ou invasiva, através da conexão direta ao cortex. 

Na Figura 1 é possíve ver alguns dos tipos de eletrodos usados:

Figura 1: Tipos de eletrodos usados para medir atividade cerebral
Fonte: http://www.neurolife.med.br/servicos-monitorizacao

Podemos classificar estes eletrodos também como bipolares quando a medição é feita entre o potencial elétrico de dois eletrodos e monopolares quando é medida a diferença entre um eletrodo e seu referencial (comum ou neutro), que é colocado geralmente em algum ponto externo ao cérebro como orelha ou outro local livre ruídos elétricos.

AMPLIFICADORES


Sinais elétricos cranianos tem relativamente baixas amplitudes (10-20µV para o EEG, 50-100µV para ECoG e 1µV para potencial evocado). Por este motivo, é necessária a utilização de um amplificador e digitalização antes que esses sinais possam ser utilizados pelo software que irá processar os dados.

Estes amplificadores devem reproduzir os sinais utilizando um conversor analógico digital e também um filtro de ruídos isolando qualquer outro tipo de voltagemdfs

São utilizados amplificadores diferenciais  (medem a diferença de potencial) e possuem um buffer de alta-impedância e alta taxa de rejeição a ruidos comuns (CMMR ou common-mode rejection ratio). O CMMR e a medição da qualidade de rejeição aos ruidos feita pelos amplificadores diferenciais tendo seus valores em torno de 60 à 110dB.

Um canal consiste em um par de eletrodos e o amplificador mede a diferença de potencial entre estes eletrodos.

A amplitude média dos sinais de EEG bipolar são entre 5 à 20µV e o monopolar em torno de 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Aquisição de sinais por método Não-Invasivo

Introdução


Os dois principais métodos de aquisição de sinais extra-cranianos são o Eletroencefalograma (EEG) e o Eletromagnetograma (EMG). Eles são adquiridos pela captação dos sinais da corrente dipolo produzida naturalmente pela atividade cerebral. O EEG é o método mais utilizado pelo seu baixo custo e facilidade de produção. A utilização do EMG é bastante restrita pelo seu alto custo e pouca praticidade para uso diário.

Eletroencefalografia (EEG)


O eletroencefalograma é atualmente o modo mais comum de medir a atividade intra-craniana. Tem como vantagem o fato de ser não-invasivo, seguro e relativamente barato. \Seu funcionamento con

GRAVAÇÃO DO EEG


Para realizar esta tarefa teremos 2 principais desafios que são a referencia do local de colocação dos eletrodos e a quantidade. Deve-se compreender o impacto desdes parâmetros em relação as propriedades para se realizar a captação dos dados.

ELETRODOS

Para o processo de aquisição são necessários ao menos 3 eletrodos: dois para gravação e um para o valor de referência (Ground).

É importante saber que o ground do eletrodo é conectado a um amplificador do ground, porém, o do eletrodo deve ser isolado do ground da fonte de energia, como mostra a Figura 1:

Fonte: Wolpaw, Jonathan R., Brain Computer Interfaces - Principle nd Practice, 2012, Oxford Press.

A diferença de potencial existente aos 2 outros eletrodos é baseada na fórmula V2(t) - V1(t), geradas pela fonte de energia P(r,t) referente ao momento da corrente dipolo por volume de unidade e também, por interferências biológicas.

O potencial da localização dos eletrodos 1 e 2  em referência ao negativo é dada respectivamente pela fórmula V1(t) + Vcm(t) e V2(t) + Vcm(t), onde Vcm(t) é o modo potencial comum (causado pelas linhas de energia).

Sistemas baseados em EEG como o da Figura 1, usam differential amplifiers, os quais são designados para rejeitar o potencial de modo-comum (constante espacial) Vcm(t) e amplificar a diferença de potencial entre os pares de eltrodos conectados ao couro de forma que  a voltagem de output E(t) é proporcional a diferença de potencial gerada pelo corpo, isto é, E(t)=A[V2(t)-V1(t)], onde A é o ganho total do sistema referente aos estágios de amplificação.

O eletrodo negativo que é colocado na cabeça, orelha ou pescoço, provê uma voltagem de referência para o amplificar prevenindo ruidos e servindo como referência para o amplificador diferencial.

Sistemas de EEG tradicionais criam sinais de contato com impedância normalmente inferior a 10kOhms, porém, os amplificadores modernos com impedância de input maiores (200MOhms), impedâncias no eletrodo de contato (~30-50kOhm) podem ser bem toleradas sem degradar a qualidade do sinal.  O único lado negativo disto é o ruido que poderá almentar a faixas de 60Hz, porém, podem ser eliminados por filtros analógicos ou pós-processado com filtros digitais.

Estra alta tolerância a alta-impedância criada pelo input, permite o uso de esponjas com sal, que possuem maior impedância que o tradicional método com gel, além também da maior rapidez na colocação dos eletrodos.

Estes eletrodos são também classificados como eletrodos molhados, porém, recentemente tem sido bastante desenvolvida a pesquisa em tipos de eletrodos secos, utilizando platina, ouro ou aço inoxidável.

Os eletrodos criados possuem uma parte metálica que geralmente é feita utilizando materiais como Estanho(Sn), Prata ou Cloreto de Prata(Ag/AgCl), ouro(Au) ou Platina(Pt). Os eletrodos de Estanhos possuem o menor custo entre as opções, porém, o baixo sinal (timicamente 1Hz) não é favorável para aplicaçõs referentes a event-related potential (ERP), sendo dada preferência aos feitos com prata ou cloreto de prata, os quais são mais utilizados comercialmente.

BIPOLARIDADE DO EEG


É importante saber que todas as gravaçõe ssão bipolares, portanto, é importante o uso de um par de eletrodos para medir o potencial, pois, o sinal depende da corrente que passa pelo circuito. Na prática, ele depende da posição do par de eletrodos de gravação e do eletrodo de referência. Este eletrodo de referência é geralmente colocado na orelha ou mamilos, porém, não existe explicações teóricas suficientes que justifiquei o uso nestas regiões. Uma outra opção é o uso de uma referência de média-comum.

MONTAGEM DOS ELETRODOS


Existem padrões internacionais de localização dos eletrodos conhecidos como 10-20, 10-10 e 10-5 mostrados na Figura 2. Este padrão tem por base o cálculo da distância total de ponta a ponta, e a retirada do percentual em sua média.

Figura 2: Padrão Internacional de localização dos Eletrodos no EEG

Fonte: http://origin-ars.els-cdn.com/content/image/1-s2.0-S1388245700005277-gr2.jpg


Por exemplo, na imagem podemos ver que do centro superior (que representa o nariz) até a parte posterior da cabeça, há uma série de pontos pretos representando a localização dos eletrodos. 

Estes pontos representam o Sistema 10-20, onde existe um total de 21 pontos com uma diferença de 20% na distância entre eles. É possível perceber também que os números da esquerda são ímpares, da direita pares e do centro são indicados pela letra z.

O Sistema 10-10 é composto por 74 eletrodos que são os 21 do sistema 10-20 de cor preta mais 53 eletrodos representados pelos círculos de cor cinza.

Além disso há ainda o sistema 10-5 que é composto por 145 eletrodos. Representa a soma os pontos do sistema 10-20, 10-10 e a inclusão dos pontos brancos, capaz de gerar uma maior precisão na aquisição de sinais. 

CLASSIFICAÇÃO DE AMOSTRA (SAMPLE RATE)


O processo de aquisição consiste na detecção dos sinais pelos eletrodos, amplificação, filtragem pelos circuitos analógicos e então, digitalizados. 

O circuito analógico remove a interferência de alta e baixa frequência que ultrapassam o Nyquist Limit¹  que é definido pela taxa de amostragem do conversor ADC. definido  conversor analógico-digital (ADC). Este processo gera uma fórmula definida por fdig>2fmax onde fdig é a taxa de amostragem e fmax é a maior frequência presente no sinal. Por exemplo, se a maior frequência de sinal é 20hz (20 ciclos por segundo), a taxa mínima de amostragem deve ser 40hz (1 amostra a cada 25msec).

Para prevenir alising, é aplicado ao sinal analógico um filtro passa-baixo (low-pass filter²). Este filtro elimina a potencia  (amplitude quadrada) em frequências maiores que a máxima determinada pela Nyquist Limit. Na prática isto é aplicado com o conhecido nome de Engenharia do Limite Nyquist, pelo qual filtros passa-baixo com ferquência de corte de 2.5 tempos menor que a taxa de amostragem (sample rate). Por exemplo, se a frequência de intersse é mor que 30Hz, a frequência de corte é 30Hz e a taxa de amostragem (sample rate) é 75Hz.

Normalmente a amostra do sinal analógico é feita 200-1000 times/sec, digitalizado e convertido em unidades de ADC para Volts. Este processo pode ser gravado ou mais comumente processados online produzindo saídas em tempo real.


PREVENINDO, RECONHECENDO E ELIMINANDO SINAIS NÃO-CEREBRAIS (RUÍDOS)


Alguns sinais físicos não-cerebrais podem contribuir negativamente na gravação de EEGs. Este tipo de sinal pode ser gerado pela atividade muscular craniana(medido via eletromiograma[EMG]), movimento ocular e cardíaco(via eletro-oculografia[EOG]) e atividade muscular cardíaca(eletrocardiograma[ECG]).

Estes efeitos podem causar oscilações de baixa-frequência(<2Hz), alta frequência e mudanças bruscas na base. Como consequencia a relação sinal/ruido acaba sendo reduzida e principalmente ruidos provenientes de EMG podem resultar em um falso valor de EEG, ou seja, pode gerar um falso comando.


1. the wave's frequency must not be above half the sampling frequency. This limit is called the Nyquist limit of a given sampling frequency

2. Nome comum dado a um circuito Eletrônico que permite a passagem de baixas frequências sem dificuldades e atenua (ou reduz) a amplitude das frequências maiores que a frequência de corte. A quantidade de atenuação para cada frequência varia de filtro para filtro.


sábado, 27 de julho de 2013

Introdução

Em 1924, o professor da Universidade de Jena, Hans Berger, descobriu que é possível extrair sinais elétricos do cérebro através de componentes conectados ao couro cabeludo. Esta técnica futuramente seria chamada de Eletroencefalograma (EEG) e seria utilizada para pesquisas e diagnóstico clínico.

Figura 1.1 - Imagem enviada por Herbert Jasper para Hans Berger em 1938


O termo Brain Computer Interface (BCI) ou Interface cérebro-computador (ICC) traduzindo para português, foi usado pela primeira vez por Jacques Vidal em 1970 e refere-se ao sistema com o qual podem-se fazer a leitura dos sinais gerados pelo EEG, medindo o nível de atividade cerebral em determinadas regiões e substituir, restaurar, aumentar, suplementar ou melhorar as respostas aos estímulos do Sistema Nervoso Central (SNC). Atualmente, sabemos que o SNC é responsável por enviar sinais do cérebro para o meio externo, produzindo respostas neuromusculares ou hormonais

Podemos dividir as aplicações do BCI em 5 funções citadas abaixo:

  • Substituir (Replaceas saídas naturais em caso de pessoas que tiveram algum dano ou doença, como no caso de pessoas que sofreram algum acidente e perderam algum membro. Com o BCI é possível substituir o membro por um sistema mecânico com o qual poderá mover ou até mesmo operar uma cadeira de rodas ou no caso da fala, onde é possível, através de um sintetizador de voz, recuperar suas funções vocais.
  • Restaurar (Restore) as funções de quem sofreu um trauma na medula espinhal e acabou perdendo os movimentos dos braços onde estimula os músculos através do implante de eletrodos. Podemos citar o exemplo de uma pessoa que tenha perdido a função da bexiga devido a esclerose múltipla, estimulando os nervos periféricos e permitindo à pessoa, recuperar a função de urinar.
  • Aumentar (Enhanceas respostas do SNC em casos, por exemplo, onde é necessária atenção constante, produzindo um feedback ao usuário no momento onde for detectado uma queda no nível de atenção. Isto pode ser utilizado por uma pessoa que precisa manter o nível de atenção durante uma viagem de carro longa para detectar uma possível sonolencia e alertar através de um sinal sonoro ou luminoso prevenindo acidentes.
  • Suplementar (Supplementos sinais do SNC em casos em que a pessoa perdeu seu potencial motor. Por exmplo, quando há perda das funções motoras do braço ou pernas, com o ICC, é possível criar uma perna mecânica que possa melhorar a resposta ao estímulo do membro, ou até mesmo controlar o clique de um mouse controlado pelas mãos suplementando as funções neuromusculares.
  • Melhorar (Improveas respostas do SNC para pessoas que sofreram algum trauma no cortex motor. Neste caso, podemos ajudar a recuperar as funções normais dos membros.


Na Figura 1.2 podemos ver o resumo dos 5 tipos aplicações do ICC:

Fonte: Wolpaw, Jonathan R., Brain Comptuer Interface, Oxford University Press, 2012.


Podemos dividir também o BCI em dependente e independente, onde ambos utilizam sinais cerebrais para controlar suas aplicações, porém, diferem-se na forma de dependencia do SNC. 

O BCI dependente como o próprio nome diz, depende da atividade muscular e é usada, por exemplo, em interface Visual Evoked Potential (VEP) para determinar a direção em que uma determinada pessoa está olhando e assim gerar um evento como o movimento de um mouse baseado nesse estímulo. 

Já no BCI independente, estes estímulos musculares gerados pelo SNC não são fundamentais. O foco nesta abordagem é a leitura das ondas eletromagnéticas geradas pela atividade cerebral, também chamados de sensorimotor rhythms (SRMs), que podem ser lidos utilizando EEG .

Atualmente existe o conceito de BCI Híbrido, no qual não  há esta separação, sendo usando os dois tipos (dependente e independente), além de outros parâmetros como referência, que resultarão nos outputs.